terça-feira, 9 de abril de 2013

Amamos PESSOAS !!!


Meu próximo livro (faz mais de 3 anos que está pronto!) além de poesias; é também de CONTOS.
Esse conto foi um dos primeiros que escrevi e isso foi em 2006! Além de muito ATUAL, ele é a minha singela homenagem aos "FELICIANOS" desse mundo afora...


Variações sobre o mesmo tema.
 Rosana entrou na sala vazia e olhando a sua volta, viu que nada mais naquele ambiente lhe era familiar. Nenhum quadro na parede, nenhum toque pessoal.
O espaço tornara-se amplo e arejado. Não teve vontade de chorar, não teve vontade de sair. Sentou-se no chão e com um sorriso no rosto e os olhos fechados relembrou os bons momentos que viveu naquela casa.
Ela conheceu Marina no Metrô. Nunca olhara para nenhuma mulher com interesse, jamais pensara em beijar uma mulher. Os homens até então, tinham preenchido todas as suas lacunas sentimentais e sexuais. Adorava homens. Idolatrava pênis. Tinha total devoção ao corpo masculino; pêlos, pernas, mãos, absolutamente tudo em um homem a seduzia. Não imaginava uma transa sem penetração. Depois das deliciosas preliminares; com mãos, bocas e brinquedos, nada mais sublime do que um pênis invadindo todo o seu interior.
E João era perfeito nesse quesito. Ele possuía o pênis mais fantástico que já vira. Era lindo, digno de fotos. João era seu namorado há um ano e lhe parecia o parceiro ideal; gostavam das mesmas baladas e curtiam as mesmas taras sexuais. Novidade era o que não faltava no relacionamento; compravam acessórios, participavam de festinhas com troca-troca de casais e comiam pipoca no cinema.
Então conheceu Marina. Na troca de olhares no Metrô, trocaram também telefones. Na semana seguinte trocaram segredos. Duas semanas depois; se deram prazer. Foi a trepada mais fantástica e diferente que já vivenciara. Marina era experiente e esperta. Um mês depois estavam morando juntas.
João não entende até hoje o que aconteceu e questiona-se como podia Rosana estar transando com alguém que não tinha pênis.
Rosana, na época tinha 27 anos e Marina 38, e juntas compartilharam as trepadas mais sensacionais e diferentes. Transavam em todos os lugares, em todas as posições e a falta do objeto fálico que Rosana tanto questionava, foi suprida por um vibrador bárbaro. O dia-a-dia era igual ao de qualquer casal hétero, todas as funções eram divididas; saiam para trabalhar, encontravam com os amigos e transavam divinamente.
Ficaram dois anos juntas. No mesmo Metrô, Rosana conheceu Gilberto. Alto, forte, um rosto quadrado de homem rude e uma mão grande. Adorava mãos de homens; grandes, grossas, firmes. Uma hora depois estavam transando como loucos desconhecidos na casa dele. Gilberto tinha um pênis maravilhoso, que aliado às mãos grossas fizeram Rosana gozar inesquecíveis vezes. Rosana ainda ficou casada com Marina por mais dois meses, transando diariamente com Gilberto.
Agora estava no apartamento que dividiu com Marina, no qual compartilharam momentos magníficos e que lhe pareciam tão distantes. A campainha tocou. Levantou-se do chão, abriu a porta para o corretor e entregou-lhe as chaves. Parecia uma página virando. Desceu no elevador com o pensamento distante. Na rua, apressou o passo, queria chegar logo no Metrô.



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Diga só pra mim...

Diga que a vida vai ser sempre assim
E que os bons momentos são feitos de rosas,
Diga que o tempo é apenas engano e que a tristeza
sempre vai embora.

Diga para mim que
O amor não tem fim
Diga só pra mim que
O amor não tem fim.

Será ilusão?
Diga que o destino se diverte assim;
nos promete asas, nos promete o mundo;
que a felicidade escapa pelas mãos;
e que pra alcançá-la se vale tudo.



Último tempo

Por que ocorre um gol aos 15 minutos da prorrogação?
Por que as coisas acontecem quando menos esperamos?
Simplesmente porque o jogo não acabou!
Enquanto houver homens em campo, pessoas na batalha diária ou luz no fim do túnel; tudo pode acontecer.
É estranha a sensação de que tudo pode mudar, as situações podem tomar rumos inesperados.
É mágico também.
As dúvidas sobre "os porquês" geralmente giram em torno da contestação do livre arbítrio; afinal nada é por acaso; carmicamente falando...
Surpreendo-me quando fatos inesperados acontecem na minha vida e costumo brincar dizendo que tenho um "Bope de anjos" me resguardando. Porque essa é a única explicação plausível para a bonança que sucede as tempestades.
O melhor é ter a sensação de que nada é definitivo.  A vida não se resume a jogarmos cimento em cima das histórias ou dos problemas, e com isso tudo desaparecer por completo.
A vida não se resume a NADA; ela simplesmente está aberta para as inovações, renovações e tentativas.
Quantas vezes chutamos a gol?
Quantas vezes o placar é alterado?
Enquanto houver jogo.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Inicio da Série: "Poesias do novo livro"



PREVISÕES

Quem ousa dizer que acabou?
Quem terá a empáfia de desmentir essa história
ou jogar flores no túmulo vazio?
Eu não me atreveria,
não atormentaria os sábios
e nem desagradaria os descrentes.
Suas forças sucumbirão aos desmandos do destino,
do incerto
do surreal prazer caótico.
Fingirá que esqueceu
e fracamente se resguardará das dores,
tormentas previstas por lei
nas tempestades implacáveis,
geradas por esse amor sem igual.

 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Felicidade


"Felicidade é questão de ser"

iniciando 2013...

Sentei-me e dei um longo suspiro...
Tem exatamente UM ano que não vinha aqui, e hoje acordei com uma vontade louca de voltar a escrever para mim... porque é exatamente para isso que esse espaço serve; para eu escrever o que estou sentindo ou pensando.
As redes sociais acabam nos policiando um pouco sobre "o que escrever", na maioria das vezes são compostas por um leque de pessoas "conhecidas" e que não se interessam (ou não nos interessa) pelas nossas fases da vida. Não curto realmente ficar postando sentimentos  ou sensações no facebook e aqui tenho a liberdade de escrever o que bem entender; afinal só aparece por aqui quem se interessa realmente por mim.
Ontem li a coluna da Martha Medeiros, no Jornal O Globo, e ela dizia que escrever é a melhor forma de terapia. Escrever para si mesmo é o melhor exorcismo para os males da alma.
E assim; declaro meu retorno a esse lugar que é SÓ MEU!
Hoje vou escrever sobre LUTOS.
O que é realmente o luto? quais são as formas de vivenciá-lo? qual é o tempo de inicio e fim? existe fim para o luto?
São tantas as perguntas, e não vou ser eu a respondê-las... Simplesmente porque não sei respondê-las. Não me julgo capaz de ter certezas sobre um assunto que para mim é tão misterioso. Para mim, são perguntas que jamais vão ter resposta.
Já vivi tantos lutos; passei por alguns sem saber o que estava realmente acontecendo e por muitos outros, ainda permaneço de preto.
São lutos amorosos, outros comerciais, alguns fraternos. São lutos em toda a sua extensão de dor e saudade. São lutos intensos e envoltos numa quarentena que não finda. São lutos.
Sou uma pessoa extremamente dificil de entender. Tenho nuances próprias e na maioria das vezes indescritíveis. Sou complicada, moradora de um mundinho cercado de arame farpado e que só entra de verdade, quem eu permito. Tenho muitos amigos, mas os que têm acesso as áreas restritas são pouquíssimos. Esse meu isolamento faz com que muitas das minhas dores sejam trancafiadas na torre e as mesmas permanecem lá por uma vida inteira, sem ninguém ousar libertá-las.
Tem um episódio que me define muito bem: há alguns anos, fui assistir com meu melhor amigo, Fernando, o filme "A Dona da História", sai do cinema aos prantos e Fernando abismado comigo, sem entender o porquê daquele surto, tentava me consolar pois o filme não pedia lágrimas... a catarse foi porque eu não parava de pensar se realmente tinha feito as escolhas certas para a minha vida. Passaram-se muitos anos desde aquela tarde, eu continuo em catarse e me fazendo as mesmas perguntas; será que fiz as escolhas certas? os caminhos eram os corretos? e se eu tivesse virado a esquerda ao invés da direita? Coisas de geminiana...
Confesso que tenho alguns lutos permanentes, que não me impedem de seguir a minha vida, de sonhar ou fazer planos; mas que atormentam o roteiro do meu filme, da história da qual eu sou a única dona.